Geração Z na empresa: o que a pesquisa Deloitte 2026 mostra e o que os comunicados internos precisam deixar claro
Quais informações a CI deve publicar para colaboradores jovens: crescimento interno, regra de uso de IA e apoio em saúde mental, com verificação de compreensão.

Resposta rápida
Três informações devem estar explícitas e fáceis de achar para os colaboradores mais jovens: como funcionam o crescimento e a movimentação interna, qual é a regra de uso de IA no trabalho e a quem recorrer por apoio à saúde mental além do gestor direto. Para cada uma, defina o que publicar, para quem, em qual canal e quem revisa, e depois confira a compreensão com perguntas curtas e as dúvidas que chegam.
Em resumo
No recorte global, a pesquisa Deloitte 2026 indica que a maioria prefere crescer aos poucos ou aceitar movimentos laterais a ser promovida rápido, então comunicar só promoção deixa muita gente de fora.
No Brasil, o uso de IA no trabalho é alto e só cerca de um terço fez ao menos um treinamento: a regra interna precisa dizer o que pode, o que não pode e onde está a orientação.
No Brasil, três em cada dez respondentes dizem se sentir estressados quase o tempo todo; por isso, vale divulgar caminhos de apoio que não dependam só do gestor (orientação editorial, não conclusão da pesquisa).
A pesquisa não avalia comunicados nem canais: a verificação de compreensão aqui é recomendação prática, não evidência.
O que a pesquisa é e o que ela não é
A 15ª edição da Gen Z and Millennial Survey, divulgada em 13 de maio de 2026, reúne respostas de mais de 22.500 pessoas em 44 países, segundo o comunicado global da Deloitte. No recorte Brasil, a página da Deloitte Brasil informa 804 participantes: 501 da Geração Z e 303 millennials.
Dois cuidados. Primeiro, os números globais e os do Brasil não se misturam: cada afirmação abaixo diz qual é o recorte. Segundo, a pesquisa mede percepções e preferências de pessoas jovens, não a eficácia de comunicados internos. As inferências que seguem são nossas, e não da Deloitte.
1. Crescimento e movimentação interna
O que a pesquisa mostra. Globalmente, 25% da Gen Z e 21% dos millennials preferem progressão rápida com promoções frequentes. Já 44% e 45% preferem crescimento gradual, e 21% e 20% aceitam até um movimento lateral ou um passo atrás para encontrar o papel certo (comunicado global; o mesmo texto aparece na página norte-americana). No Brasil, 69% da Gen Z e 74% dos millennials têm interesse em assumir liderança em algum momento, mas apenas 6% e 8% a apontam como prioridade, e cerca de 60% buscam progresso constante (Deloitte Brasil).
Inferência. Um comunicado que só fala de promoção ignora a maior parte desse público. Vale explicar também as outras rotas.
Lista de verificação:
O que publicar: critérios de crescimento, vagas internas, como funcionam movimentos laterais, quem decide e em que prazos.
Para quem: todo o quadro, com atenção a quem tem pouco tempo de casa.
Canal e revisão: o canal onde as pessoas já procuram informação oficial; RH e lideranças revisam antes de publicar.
Ligações úteis: o conteúdo conversa com o PDI e com o ciclo de avaliação de desempenho, que ajudam a mostrar como o desenvolvimento acontece.
2. Regra interna de uso de IA
O que a pesquisa mostra. No Brasil, 87% da Gen Z e 91% dos millennials já usam IA no dia a dia, e cerca de um terço fez ao menos um treinamento na área (Deloitte Brasil). No recorte global, 74% usam IA no trabalho diário; 30% da Gen Z e 31% dos millennials acham que a organização não está preparada para as mudanças que ela traz, e 33% e 32% consideram as ferramentas disponíveis só parcialmente suficientes ou insuficientes (comunicado global).
Inferência. Uso alto com pouco treinamento sugere que uma regra clara pode preencher uma lacuna de informação. Isso não prova que a lacuna exista na sua empresa; só as dúvidas recebidas mostram isso.
Lista de verificação:
O que publicar: o que pode, o que não pode e onde fica a orientação completa, em linguagem simples e com exemplos do dia a dia.
Para quem: todas as áreas, inclusive quem usa IA por conta própria.
Revisão: jurídico, TI ou segurança da informação e RH validam o conteúdo; a CI cuida da clareza.
Formalização: se a regra ainda não existe como documento, veja como criar uma política interna antes de comunicar.
3. Caminhos de apoio além do gestor direto
O que a pesquisa mostra. No Brasil, três em cada dez respondentes dizem se sentir estressados quase o tempo todo (Deloitte Brasil). Na pesquisa global, estresse e burnout estão entre as barreiras à liderança mais citadas (50% da Gen Z e 49% dos millennials), ao lado da responsabilidade excessiva, e 67% e 65% usam IA para lidar com o estresse do trabalho (página norte-americana).
Inferência. Esses dados não tratam de canais de apoio nem de conforto para falar com o gestor. Ainda assim, se o único caminho de apoio passa pelo gestor, quem não se sente à vontade com ele fica sem rota. Esta é uma orientação editorial, não uma conclusão da pesquisa.
Lista de verificação:
O que publicar: os canais de apoio que a empresa realmente oferece, citados pelo nome, com orientação para conferir contato e condições na fonte oficial de cada serviço.
O que evitar: aconselhamento clínico ou promessas que a empresa não pode cumprir.
Revisão: RH, DHO e, quando houver, saúde ocupacional.
Leituras de apoio: como preparar um comunicado sobre saúde mental, o que fazer depois de 10 de outubro e o papel da CI na NR-1 e nos riscos psicossociais.
Canal: quem não está diante de um computador
Se parte dos colaboradores mais jovens trabalha na operação, sem e-mail corporativo, a informação que só existe em um canal que essa pessoa não abre não foi comunicada. A pesquisa global também registra fadiga digital em 58% da Gen Z e 54% dos millennials, por alertas constantes e troca de ferramentas (comunicado global). Na prática, escolha poucos canais, com um lugar fixo para consultar a regra completa. Para equipes sem e-mail, veja como comunicar com equipes operacionais.
Como verificar se foi entendido

Esta parte é prática recomendada, não resultado da pesquisa:
Perguntas curtas. Depois de publicar, peça a algumas pessoas de áreas diferentes que respondam, com as próprias palavras, uma pergunta simples: "Como eu me candidato a uma vaga interna?", "Posso usar IA para esta tarefa?", "A quem recorro se não quiser falar com meu gestor?".
Dúvidas recebidas. Registre perguntas que chegam a RH, CI e lideranças. Repetição indica o ponto que o texto não resolveu.
Revisão de leitura. Confira se o comunicado foi aberto e lido, sem tratar leitura como sinônimo de entendimento. Veja como medir a leitura de comunicados internos.
Ajuste e republicação. Corrija o texto e avise quem já leu a versão anterior.
Resumo da lista
Objeto | Dado de apoio | Publicar | Quem revisa |
|---|---|---|---|
Crescimento interno | Preferência por crescimento gradual (global) | Critérios, vagas, movimentos laterais, decisores e prazos | RH e lideranças |
Uso de IA | Uso alto e pouco treinamento (Brasil) | O que pode, o que não pode, onde está a orientação | Jurídico, segurança e RH |
Apoio à saúde mental | Estresse relatado (Brasil) e barreiras à liderança (global) | Canais pelo nome, sem depender só do gestor | RH, DHO, saúde ocupacional |
Próximo passo
Escolha um dos três objetos, escreva a versão mais curta possível, publique em um lugar fixo e colete dúvidas por duas ou três semanas. Se quiser apoio para publicar e acompanhar esses comunicados, conheça a Hywork.
Perguntas frequentes
A pesquisa Deloitte prova que comunicados explícitos funcionam melhor com a Geração Z?
Não. A pesquisa mede preferências e percepções sobre carreira, IA e bem-estar, e não avalia comunicados nem canais internos. A lista deste artigo é uma recomendação editorial apoiada nesses dados.
Posso usar os números globais para falar da minha empresa no Brasil?
Use cada número com o seu recorte. Os dados do Brasil vêm de 804 respondentes e os globais de mais de 22.500 pessoas em 44 países. Eles não devem ser misturados nem tratados como retrato da sua equipe.
O comunicado de IA precisa ser uma política completa?
Não necessariamente. Comece com o essencial: o que pode, o que não pode e onde está a orientação. Se a regra ainda não está formalizada, vale estruturar o documento antes de divulgá-lo.
Posso citar serviços de apoio no comunicado?
Sim, pelo nome, orientando as pessoas a conferir contato e condições no site oficial de cada serviço. Evite prometer algo que a empresa não oferece e não faça aconselhamento clínico no texto.
Como saber se os jovens entenderam o comunicado?
Peça a algumas pessoas que expliquem com as próprias palavras o que entenderam e acompanhe as dúvidas que chegam a RH e CI. Se as mesmas perguntas se repetem, o texto precisa de ajuste.
Leve isso para a prática na sua empresa.
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